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12.10 — 02.11

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"I am the author of a statement to which there have been varying reactions, including praise and blame, and which I shall make again in the present article. Briefly, it is this: all earthly existence must ultimately be contained in a book."1

Stephane Mallarmé


O texto de Stéphane Mallarmé, no original intitulado: Le Livre, instrument spiritual, assume-se como um pertinente ponto de partida para o projecto que agora se inicia. Escrito em 1895, num período em que as lógicas de concepção e produção do livro permanecem apegadas ao modelo clássico, (a velha tipografia) no intuito de Jan Tschichold, o texto de Mallarmé vem incitar (precisamente) o questionamento da sua manutenção e apelar a uma futura reformulação/subversão dos seus princípios. Mais do que condenar a estreita subordinação da página a um eixo central de justificação, origem de uma aparente estrutura simétrica, Mallarmé reprovava sobretudo o espartilho que sujeita o conteúdo do livro e o leitor a uma leitura mecanizada, monótona, dominada por um percurso de ritmo previsível. No fundo, Mallarmé fazia a apologia da materialização do texto liberta de convenções formais, uma ideia que o próprio poria em prática no seu paradigmático poema: Un Coup de dés jamais n'abolira le hasard. Mas a sua preocupação com o livro estendia-se muito para além da configuração do texto. A reflexão do autor em torno deste objecto, em parte é motivada pela análise de outro espécime gráfico, em pleno desenvolvimento na sua contemporaneidade: o jornal. Descartável e perecível, o jornal desafiava o seu fim mais óbvio, numa massa de matéria impressa, caótica e pouco refinada, mas extremamente acessível pela sua massificação e circulação. Ora, importava então transformar o livro num meio único — uma plataforma de liberdade criativa — capaz de apelar aos interesses multidisciplinares do público moderno (e enfim, capaz de resistir à democratização do jornal). Embora com as devidas vicissitudes da época a que pertence, o texto de Mallarmé pode e deve servir-nos de mote a uma investigação sobre o livro (a sua forma, estrutura, conteúdo, leitura, etc.), sem descurar a sua incontornável preponderância como objecto editorial no campo do Design de Comunicação.


1 Lupton, Ellen (1996); Mixing Messages: Graphic Design in Contemporary Culture; New York: Princeton Architectural Press.